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Esse é o meu calo. E todo mundo tem um ou vários. Mesmo os mais ferrenhos defensores da gramática dita culta e que certamente terão críticas quanto ao que vou opinar aqui, podem defender na teoria, que é horrível ouvir aberrações em palavras como gratuito.Mas na hora da verdade, que é a hora de por a boca no trombone, falar, dizer, manter a atenção do público, certamente a teoria não fecha com a realidade. Cometem os mesmos erros que qualquer simples mortal comete: pronúncia, concordância, explicação com falta de clareza, ñão conseuguem manter a atenção do ouvinte, entre outros. Não são eles que estão errados. Nem nós. O único erro que é cometido, é afirmar que a língua portuguesa é complicada, mas é, por ser a mais linda deste nosso grande planeta. Ora... Complicação nunca foi sinônimo de beleza. A mesma burocracia que impera em todos as repartições públicas deste país, desde o seu descobrimento, está instalada em nossa língua. A mesma fantasia maravilhosa que é a nossa constituição, que tem leis fantásticas, mas que não são cumpridas, é a fantasia da mais linda e cheia de leis e normas língua portuguesa. Qual a porcentagem de nossa população que domina ou chega perto de dominar os tais pretéritos do mais do que perfeito do passado do futuro do presente, do isso e daquilo. E quanto tempo perdido em sala-de-aula. E quanta ilusão. Afirmar isso não é demagogia. É simplesmente andar sobre a realidade. Mesmo os nobres professores de português, com os quais posso entrar em atrito, sabem a pequena parcela de alunos que leva a sério esse lance dos “pretéritos” pra além da hora da prova. Também defendo que devemos sempre buscar o melhor e acertar. Mas quando a complicação passa a ser maior que os benefícios é sinal de que algo não está certo. No caso do meu calo, o tal do “gratuito”, acho que nasci com um defeito psicolingüístico que me impede de saber a diferença entre dizer “gratúito” e “gratuíto”. Foquei na tentativa de resolver esse problema. Mas, não sei o motivo, meu cérebro não percebe a diferença quando alguém está dizendo de uma forma ou de outra. Em outras palavras. Tanto faz você dar ênfase no “u” ou no “i”. Sempre ouço da forma com que eu pronuncio. E qual a forma que eu pronuncio? Não sei. Quem percebe o erro sempre diz que o tal do “ito” fica muito em evidência. Tentaram dizer que falar “gratuito” deve ser como falar “muito”. Percebi a diferença. Ocorre que pra falar muito, em sua fonética está uma letra “n” - “muinto”, o que facilita bastante, mas vá tentar colocar um “n” no gratuito. E ainda há uma grande confusão em tudo isso. Alguns especialistas afirmam que o correto é assim. Outros dizem que é assado, e assim a dúvida prevalece.
Em função dessa dificuldade, descobri que em português, também há uma regra importante. Quando você, depois de muito lutar, descobre que não se dá bem com alguma palavra, deve fugir dela ou risca-la de seu dicionário. E assim estou fazendo. Troco a palavra que me complica, por um sinônimo. Afinal, evitar o erro também é uma maneira de acertar. E descobri que isso é grátis, free, sem custo, um brinde, não paga nada... Tudo isso, menos gratuito. Até porque depois de falar umas 10 vezes essa palavra, ninguém mais sabe se está falando do jeito certo.

De toda forma, minha opinião é a de que somos um povo que escreve mal, por que lê pouco. Lê pouco, porque lê mal. E isso precisa melhorar muito. Acredito que se facilitássemos um pouco o idioma, os resultados seriam bem melhores e teríamos muito mais tempo para corrigir os erros mais comuns do nosso dia a dia. Sou fã de quem fala corretamente, tanto é que sou casado com uma mulher formada em letras. Por gostar, segue abaixo, uma das dicas que achei das mais compreensíveis, mesmo que ineficiente para resolver o meu problema.

Qual é a pronúncia?
circúito
circuíto
gratúito
gratuíto
É claro que os acentos nos exemplos acima não existem, tendo sido colocados apenas para enfatizar a pronúncia. E é justamente a forma de pronunciar determinadas palavras que muitas vezes nos deixa atordoados.
É normal que, quando nos ensinam que não é correto dizer "circuíto" e gratuíto", fiquemos com certa dúvida. Afinal, é muito comum ouvirmos essas palavras pronunciadas assim, com ênfase na letra "i".
Para os gramáticos, devemos sempre respeitar a pronúncia culta. Para respeitar essa pronúncia, lembre-se de uma dica muito simples: pronuncie as palavras acima seguindo o exemplo de "muito". Ninguém fala "muíto", não é mesmo?
E as palavras "fluido" e "fluído"? Nesse caso a história é outra porque as duas palavras existem e têm significados diferentes. "Fluido" é, por exemplo, a substância que utilizamos nos freios dos automóveis. E "fluído" é particípio do verbo "fluir".
fluido = substantivo (corpo líquido ou gasoso que adquire a forma do recipiente em que está)
fluído = particípio do verbo "fluir" (correr em abundância, manar)
Vamos à pronúncia de outra palavra. Observe o trecho da canção "Não serve pra mim", um antigo sucesso de Roberto Carlos regravado pelo grupo Ira:
... Não quero mais seu amor,
não pense que eu sou ruim.
Vou procurar outro alguém
você não serve pra mim...
O pessoal do Ira pronuncia a palavra "ruim" com ênfase no "i". E é isso mesmo. São duas sílabas: ru-im. E essas sílabas formam um hiato.
Portanto nunca chame uma coisa ruim de "rúim" porque nesse caso ela pode ficar pior!




03 Jul, 2008 - cleiton



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